Wagner nega contraproposta do Estado para professores: ‘Eu acho que o passo tem que ser de lá para cá’

Foto: Carol Garcia / Secom-BA
O
governador Jaques Wagner (PT), em entrevista coletiva na Governadoria,
nesta sexta-feira (4), descartou a possibilidade de o Estado tomar outra
atitude para impedir a sequência da greve dos professores, iniciada no
último dia 11 de abril, além da aprovação dos projetos aprovados na
Assembleia Legislativa, que concederam aumentos de 3% e 4% para a
categoria. Embora a classe reivindique um incremento de 22,22%, conforme
o piso nacional estabelecido pelo Congresso em março, o chefe do
Executivo estadual argumenta que os pagamentos feitos a partir das novas
leis já superam o valor, que “está longe do fim da fila”. Ele justifica
que além de o orçamento baiano ser o 25º per capta do país, ainda
precisa negociar com outros grupos de servidores. “Eu preciso fazer
concurso de polícia. Eu acabei de formar 1,8 mil policiais. Isso tudo
entra na folha. Vai ser custo. Tem o reajuste dos policiais do fim do
ano. Tem outras categorias que estão negociando. Então, não tem só
professor. Eu acho que o passo tem que ser de lá para cá”, apostou.
Segundo o petista, a reclamação dos grevistas de que haveria verba de
outros setores que poderia ser remanejada para atender ao pleito é
inviável. “Eu não tenho espaço fiscal para fazer [aumento] e eu não vou
fazer loucuras. As pessoas às vezes falam: ‘ah, corta isso, corta
aquilo’. São gastos separados. O que se gasta de investimento é uma
coisa e o que se gasta com pessoal é outra coisa. É o custeio. Uma coisa
não interfere na outra. O fato de construir estrada não tira dinheiro
do salário dos professores”, exemplificou. Wagner clamou ainda que, na
assembleia dos docentes na próxima segunda (7), seja decretado o retorno
dos profissionais às salas de aula para que sejam discutidos os dias
parados e a reposição. “Eu acho incrível, inclusive, que alguém tenha
dito que não vai repor as aulas. Querendo o quê? Macular o ano letivo
dos meninos? Prejudicar a população mais carente do estado?”, indagou.